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Boeing 727 x Xavante da FAB PDF Imprimir E-mail

 

 

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Texto: Mastercaptain | Fotos: Fábio Laranjeira

 

Final dos anos 80, tarde ensolarada e com os característicos cúmulos da região costeira do Nordeste. A bordo um jovem comandante de B727 vindo de Manaus com escalas em Belém, Santarém, São Luiz com destino a Fortaleza. Vinha pensando na farofa de arraia e na cerveja gelada que desfrutaria no restaurante “Do Polvo” no jantar. Depois aquela caminhada na Avenida Beira Mar e desfrutar um bom sorvete de seriguela vendo as gurias passeando próximo a feira de artesanato em frente ao Hotel Othon. Fortaleza, povo hospitaleiro, berço esplêndido de artistas e poetas. Pernoite prazeroso para 10 em cada 10 tripulantes e onde se encontra também uma base aérea.

 

Mal sabia eu que justamente da Base Aérea de Fortaleza, onde àquela época operava um esquadrão equipado com os EMBRAER AT-26 Xavante e cuja história remonta a 15 de maio de 1933 quando foi criado o 6º Regimento de Aviação da antiga Aviação Militar do Exército, passando a constituir o 6º Corpo de Base Aérea em 1939 até o dia 22 de maio de 1941, quando foi criada a BAFZ - Base Aérea de Fortaleza, CE, sob o controle do recém-criado Ministério da Aeronáutica - sairia um dos personagens dessa história.

 

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EMBRAER AT-26 Xavante

 

Não lembro exatamente a altitude, mas estávamos nivelados e a cerca de 15 minutos antes de iniciar a descida para a simpática capital do Ceará. Assim que passamos por sobre algumas nuvens ligeiramente abaixo, tomei um susto ao perceber que junto com a sombra do Jorjão tinha um ponto escuro e menor próximo a minha aeronave. Bingo, logo percebi que estava sendo alvo de um exercício de interceptação pelo esquadrão de Xavantes. Concluí que a provável aeronave estava ligeiramente atrás, acredito que a 50, 100 metros. O B727 é uma aeronave bastante elástica e com características de vôo muito boas, com ótimo desempenho de vôo tanto em alta como em baixas velocidades devido ao maravilhoso projeto de sua asa, que torna toda a série de B727 um avião muito prazeroso para seus pilotos.

 

Sintonizei a freqüência no radio VHF 121.5 (freqüência internacional de emergência) e tentei estabelecer um contato. Nada. Não tive duvidas, comecei a acelerar o doissetão, Mach .84 , .86, .88 e parei um pouquinho antes da VMO (máxima velocidade operacional). Concentração total no velocímetro. À medida que me aproximava da velocidade máxima a tensão era evidente. Tinha medo de chegar ao Mach crítico e gerar ondas de choque que causam turbilhonamento e deslocamento da camada limite em um ponto da asa em que se chega à velocidade do som.

 

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Boeing 727

 

Não tive dúvidas que o provável Xavante e seu comandante ficaram na poeira, passando de personagens principais a coadjuvantes sob a esteira do majestoso 727. Posteriormente conversando com um ex-piloto da FAB ele me confessou que o Xavante não é páreo para duelar com um 727 no quesito velocidade e que era comum o pessoal fazer este exercício naquela época. Eles somente tinham o cuidado de não se deixarem ser vistos. Mas neste dia a sombra, a velocidade do 727, a oportunidade de emoção de uma jovem tripulação frustraram a tentativa do FAB em exercitar uma interceptação.

 

 

Os Personagens

 

BAFZ:


Criada em 22 de maio de 1941, teve seu uso cedido aos Estados Unidos durante a 2ª Grande Guerra pelo Governo Brasileiro, que temia uma possível invasão por parte dos países do Eixo, a partir de Dakar no norte da África, e, também devido aos sucessivos ataques de submarinos alemães e italianos contra os navios da nossa Marinha Mercante. Em contra-partida, nossas forças foram reequipadas com equipamentos modernos.

 

Em maio de 1958, a BAFZ entrou para a era do jato ao receber 33 Lockheed F-80C Shooting Star, utilizados somente pelo 1º/4º GAv. Em 1966 chegaram os Lockheed T-33, que foram utilizados juntamente com os F-80C até 1973, quando todos foram substituídos pelos Embraer AT-26 Xavante.

 

Atualmente estão alocados na BAFZ o 1º Esquadrão do 5º Grupo de Aviação (1º/5º GAv) operando aeronaves C-95 (Embraer EMB-110 Bandeirante) e também o 5º Esquadrão do Primeiro Grupo de Comunicação e Controle (5º/1º GCC).

 

EMBRAER AT-26 Xavante:

  • Velocidade máxima: 871Km/h
  • Teto operacional: 14.000m
  • Motor: Turbojato Rolls-Royce, Bristol Viper 20, MK-540, de 3.410 lb de empuxo
  • Peso: 2.474 Kg (vazio); 5.220 Kg (máx. decolagem)
  • Envergadura: 10,84 m
  • Comprimento: 10,65 m
  • Altura: 3,72 m

 

Boeing 727:

  • Velocidade máxima: 1.017Km/h
  • Teto operacional: 11.400m série -100 e 10.730m série -200
  • Motores: Três Pratt & Whitney JT8D-7 turbofans de 14000 lb de empuxo cada na série -100 ou as opções dos Pratt & Whitney JT8D-9 de 14,500 lb, JT8D-11s de 15,000 lb, JT8D-15s de 15,500 lb, JT8D-17s de 16,000 lb (versão Advanced) e JT8D-17Rs de 17,400 lb (versão Advanced) na série -200.
  • Peso: 36.560 Kg série -100 e série -200 (vazios); 72.570 Kg série -100 e 95.030kg série -200 (máx. decolagem)
  • Envergadura: 32,92m
  • Comprimento: 40,59m (série -100) e 46,69m (série -200)
  • Altura: 10,36m