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Texto: Gustavo Omykron | Foto: José Carlos Rosa

 

Não é de hoje que se sabe que a aviação é o alvo com maior potencial para causar estragos em todo globo caso ocorra um ataque terrorista.

 

A aviação é gigante, movimenta milhões de passageiros por ano, mas sua maior virtude resulta também em seu calcanhar de Aquiles. Para atingir seus níveis de agilidade, ligando lugares distantes com velocidade, os aviões precisam levar grandes quantidades de combustível. Isso faz deles o alvo ideal para terroristas e pessoas mal intencionadas, que não possuem outro objetivo senão utilizarem esse meio de transporte como armas letais, instaurando o medo e o terror.

 

Cabe ressaltar que os eventos como sequestro e explosão de bombas começaram muito antes dos ataques de 11 de setembro, quando o grupo terrorista Al-Qaeda seqüestrou quatro aeronaves nos EUA, das quais duas foram lançadas contra as torres gêmeas do World Trade Center, uma contra o pentágono e uma caiu antes de atingir o seu alvo.

 

Alguns desses eventos anteriores foram os do Setembro Negro no início da década de 70 mas, diferentemente do que somos levados a crer, também não foram o gatilho para grandes mudanças instituídas para as empresas aéreas americanas ou aquelas que voam para os EUA. O principal evento que mudou as normas foi, sim, o seqüestro do vôo TWA 847, efetuando a rota Cairo – Atenas – Roma – Londres, quando a aeronave foi seqüestrada no trecho Atenas – Roma no dia 14 de Junho de 1985 por militantes extremistas Libaneses.

 

Após o seqüestro do TWA 847, tornou-se obrigatória a inspeção completa de todos os passageiros que adentram o saguão de embarque por pórticos magnéticos e de suas bagagens de mão em máquinas de Raio-X, além disso, ficou instituído o procedimento chamado de “Conciliação Positiva de Passageiro e Bagagem” (Positive Passenger and Baggage Match), que trocando em miúdos somente permite que bagagens despachadas embarquem na aeronave caso o passageiro que a despachou também esteja a bordo.

 

Infelizmente, um dos maiores ataques terroristas na aviação após os eventos do TWA 847 foi o atentado ao vôo 103 da Pan Am, também conhecido como “O desastre de Lockerbie”. O ataque terrorista no vôo 103 teria sido facilmente evitado caso a Pan Am, na época, tivesse efetuado todos os procedimentos de segurança mandatórios, como o de retirar do avião a bagagem de passageiros que não embarcaram no voo. Além disso, foi descoberto que bagagens despachadas em empresas de baixo-risco em aeroportos seguros poderiam ser encaminhadas para empresas de alta periculosidade por vários aeroportos sem efetuarem novamente inspeções em máquinas de raios-X, que foi o que aconteceu com o voo da Pan Am.

 

Chegando aos dias atuais, à luz da tentativa de atentado ocorrida no mês de Dezembro de 2009 dentro do A330 da Delta Air Lines que realizava o voo NW 253, ligando Amsterdã a Detroit, passou-se a se comentar muito sobre invasão de privacidade devido às novas medidas de segurança impostas aos passageiros. Dentre elas destaca-se o uso de scanners que são capazes de ver por baixo das roupas, mostrando detalhes íntimos de todos os passageiros (como desenho da genitália), revelando qualquer coisa que possam estar carregando para dentro do avião. Muito provavelmente, a tentativa de instalar tal equipamento em todos os aeroportos e obrigar todos os passageiros a passarem por ele beira o absurdo, já que logisticamente é impossível “scannear” todos os passageiros por esta máquina. Além disso, seu preço é economicamente proibitivo (tanto para aquisição como para manutenção e operação).

 

Outro scanner bastante útil, porém pouco divulgado (talvez por não gerar um debate sobre ética e invasão de privacidade como o scanner corporal), é uma máquina com vários tubos que sopram ar sobre o passageiro e analisam se existe alguma partícula que possa ser usada como bomba a bordo (e outros). Existe um dispositivo similar, presente em menor escala na maioria dos aeroportos, que só é utilizado em casos de ameaça a bomba provocados por objetos deixados pelo aeroporto. Sua função é identificar se são um IED (dispositivo explosivo improvisado) ou não, e caso sejam, determinar qual explosivo está sendo utilizado.

 

Provavelmente o órgão norte-americano TSA (Transportation Security Administration) cobre dentro de mais alguns anos que todos os portos e aeroportos mundo afora que tenham ligação com algum porto ou aeroporto nos EUA tenham tal scanner (ou o "soprador"), e que os passageiros eleitos para uma inspeção mais detalhada de bagagem também passem pelos scanners corporais.

 

Outro questionamento que vem sendo feito após divulgarem a existência de tal scanner de pessoas, é se ele teria detectado e impedido o embarque no vôo NW 253 do passaggeiro que carregava um dispositivo explosivo improvisado e, após ter tido sua tentativa de ataque frustrada pelos passageiros e tripulantes, provocou toda a comoção atual em relação a novas medidas de segurança. Mas antes de tirar qualquer conclusão, seria preciso saber se o passageiro apresentava algum dos vários sinais suspeitos, além do alerta que seu pai havia dado à embaixada norte-americana, ou se constava em alguma lista exigindo que fossem efetuadas inspeções diferenciadas. Caso o passageiro estivesse na lista para inspeção especial, e em Amsterdã houvesse um dos equipamentos já mecionados, provavelmente teria sido impedido de embarcar e preso ainda na Holanda.

 

Muitos se questionam sobre o por quê de tantos procedimentos de segurança, já que o alvo são os EUA, enquanto boa parte senão a maioria dos países são considerados pacificos, sem nunca ter enfrentado problemas com terrorismo.

 

A questão é que os terroristas buscam brechas na segurança para atingir o seu objetivo, iguais àquelas que permitiram, por exemplo, a entrada de uma bagagem sem seu passageiro no vôo 103 da Pan Am, resultando na tragédia de Lockerbie. O correto seria perguntar: até onde estamos dispostos a abrir mão da nossa segurança a fim de manter o mesmo nível de conforto e privacidade de antes? Todos nós abdicamos um pouco todos os dias. Fazemos concessões de horários e de locais por onde devemos passar para a nossa própria segurança. Será que procedimentos mais rígidos, que visam não apenas proteger nossas vidas, mas nossa saúde ou mesmo nossos empregos, são invasivos demais, ou estamos preocupados por nada?