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Voando Emirates: EK 261, Dubai - Guarulhos PDF Imprimir E-mail

 

 

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Texto e fotos: Airframe

 

No início dos anos 60, uma viagem do Brasil ao Oriente exigia um elevado espírito de aventura. Por exemplo: a empresa Redes Estaduais Aéreas Ltda. – mais conhecida como REAL – fazia a ligação entre São Paulo a Tóquio utilizando o “Super DC-6B” ou o “Luxurious Super H Constellation”, ambos “equipados com radar” (como ela anunciava nas propagandas), que obrigava uma série de escalas, começando pelo Rio de Janeiro e depois Manaus, Bogotá, Cidade do México, Los Angeles, Honolulu, Ilha Wake e eventualmente uma ou outra não programada, em função de problemas de todos os gêneros que poderiam surgir. O vôo RL814 partia às 19:30 da 3ª feira, e chegava em Haneda às 10 da manhã do sábado. Mesmo com o possível conforto existente a bordo para os poucos felizardos e abastados usuários, não seria difícil imaginar que no término dessa epopéia qualquer pessoa, mesmo a mais entusiasmada, desembarcava no Japão com cara de boxeador nocauteado.

 

 

Os anos se passaram. A Varig absorveu a REAL e passou a utilizar o Boeing 707 para o vôo do Japão, no entanto, diversas escalas ainda faziam parte dessa viagem rumo à Ásia. Na década de 90, a Varig criou uma opção interessante, que era a possibilidade de ir do Brasil ao sudeste asiático, via Johanesburgo. Havia, nesse caso, uma redução considerável no tempo total de vôo.

 

Entretanto, ocorreram diversas reviravoltas no mundo. Vieram as crises econômicas. A SARS rompeu barreiras e assustou o planeta. Certas rotas ficaram economicamente deficitárias. As companhias aéreas cortaram custos. Algumas empresas faliram e os requisitos alfandegários aos viajantes aumentaram, inviabilizando algumas escalas. No final, tudo isso gerou, com o passar dos anos, um bom retrocesso, como a volta da necessidade de muita disposição para quem quisesse se deslocar para o outro lado do mundo.

 

Apesar das oscilações de demanda, porém aproveitando um mercado com enorme potencial e mal explorado, eis que surge a Emirates Airline. Voando para inúmeros destinos, a partir do seu “Hub” em Dubai (DXB) – uma localidade estrategicamente muito bem posicionada e que, portanto, facilita uma boa distribuição de vôos unindo o Oriente Médio com a Ásia, a África e a Oceania –, hoje é possível contar com uma ótima alternativa para ir a lugares distantes, que são inclusive difíceis de localizar no mapa.

 

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Além de Dubai ser uma cidade agradável para quem tem tempo e gostaria de conhecer um lugar que mistura tradições milenares com o que há de mais moderno, em termos de tecnologia e construções arquitetônicas, o seu aeroporto também oferece conforto e atividades para aqueles que preferem aguardar por lá mesmo os seus vôos de conexão.

 

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Mas voltando ao assunto empresa aérea, o que podemos dizer a respeito da "EK"? Bem, sabemos que a competição e os vôos de baixo custo felizmente facilitaram imensamente para que o avião se tornasse um meio econômico de transporte, todavia, surgiram alguns efeitos colaterais. Em muitas ocasiões, a permanência a bordo se tornou um enorme exercício de autocontrole e resistência, e mesmo com todos os avanços imagináveis, viajar pelos céus nos dias atuais nem de longe se parece com aquilo que era encontrado de bom nos antigos vôos de longo curso. No entanto, desde o meu primeiro contato com a Emirates fiquei bem impressionado e satisfeito com os diversos serviços prestados, começando por sua página na internet, passando pela loja de reservas, check in, embarque organizado e o tratamento a bordo, mesmo na classe econômica.

 

Em trânsito, é hora de conhecer a Sala Vip ...

 

O terminal de passageiros por si só já é suficiente para muita distração entre um vôo e outro, mas a Emirates oferece aos seus passageiros da primeira classe ou da classe executiva um conforto adicional, que é a utilização da sua bem conceituada Sala Vip. E quando nos referimos a uma das companhias aéreas que vem disputando há um bom tempo os primeiros lugares entre as melhores do mundo, tudo o que não pode faltar é qualidade, atenção e muito conforto. Dessa forma, utilizar o termo “sala” seria altamente injusto, pois aquilo parece mais um clube. Mesmo para trânsitos mais prolongados, é possível perceber que o tempo de espera acaba sendo imperceptível. Na verdade, nem dá vontade de ir embora.

 

As duas salas ficam num piso acima da área de embarque. Logo na entrada, vários atendentes dão orientações a respeito do horário da saída do vôo e qual será o portão. Informam, também, sobre as facilidades encontradas naquele espaço, que ocupa uma extensa área, como locais para banho, uso de internet, restaurantes (sim, no plural, contei pelo menos 5 áreas para alimentação, sendo uma voltada para as crianças), área para fumantes, playground, poltrona de massagem, SPA, etc.

 

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Embarque ...

 

Havia uma fila bem organizada aguardando a chamada para o vôo EK261, que seguiu uma seqüência por fileira de assentos. Na recepção a bordo do Boeing 777-200LR (A6-EWB) pelos simpáticos e atenciosos comissários, sendo que alguns eram brasileiros, logo pude perceber que haveria uma continuidade garantida de um padrão de serviço impecável, que vinha sendo demonstrado desde o começo.

 

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A bordo ...

 

Guardei a minha mala de mão no compartimento superior, e após ocupar o meu assento logo comecei a fazer um treinamento intensivo de familiarização com tudo o que havia de disponível para o meu conforto e distração, num vôo com mais de 14 horas de duração. Mexendo no controle remoto (sem fio, e isso faz uma enorme diferença em algumas fases do vôo) foi possível descobrir, por exemplo, como selecionar o posicionamento da poltrona e o tipo de massagem nas costas que o passageiro deseja.

 

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A partida dos motores ocorreu sem atrasos. Devido ao tráfego aéreo, o deslocamento até a pista em uso para a decolagem acabou sendo um pouco prolongado. Na tela foi possível observar, ao vivo e a cores, uma boa seqüência de aeronaves para a decolagem. Sim, uma das funções do monitor de vídeo é mostrar cada “passo” da aeronave, através de duas câmeras instaladas, sendo que uma delas fica apontada para a parte da frente do avião.

 

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A rota naquele dia seguiu com um sobrevôo da Arábia Saudita e por diversos países africanos, antes de cruzar o Oceano Atlântico. Após o nivelamento, foi dado o início ao serviço de bordo. No cardápio havia uma descrição – em inglês, português e árabe – de tudo que estaria disponível naquela longa jornada, como aperitivos, brunch, lanche e jantar. Por exemplo, no brunch existiam 4 opções de pratos principais. No jantar, mais 5. Para os famintos crônicos, havia ainda a possibilidade de escolha entre sanduiches diversos, pizzas, saladas, sorvetes e petit-fours – para consumo entre os banquetes. Para acompanhar essa comilança: vinhos, sucos e refrigerantes diversos.

 

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E além de comer e dormir, o que pode ser feito num vôo como esse? Então, vejamos: para leitura, existem jornais brasileiros, diversas publicações internacionais e duas revistas de bordo (uma para a F e C e outra para a Y).

 

Mas o melhor está reservado para os aficionados por vídeos, músicas e jogos eletrônicos. Nesse aspecto, a Emirates dá um “banho” em muitas empresas, porque ela possui um fantástico sistema digital de entretenimento de bordo. Tamanha é a complexidade e a quantidade de opções, para orientar na seleção existe um guia com mais de 70 páginas, chamado de ICE (Informação – Comunicação – Entretenimento), repleto de filmes recentes e de outros que marcaram época. Isso sem falar da coletânea de músicas.

 

O vôo em cruzeiro foi muito bom, praticamente sem turbulência. Para tornar a viagem ainda mais prazerosa, existe a bordo um sistema de iluminação conhecido como Mood Lighting, que auxilia no descanso e na transição do cruzamento de diversos fusos horários. Há uma variação de “ambiente”, dependendo da programação, como um agradável tom alaranjado ou um “céu estrelado”, entre outras escolhas.

 

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Antes do início da descida, o primeiro oficial fez um anúncio de bordo, em inglês e português, descrevendo a trajetória de chegada e as condições meteorológicas. Novamente, utilizando a tela do monitor de vídeo foi possível acompanhar a trajetória do avião, que se aproximava, inicialmente dentro de camada de nuvens, para pouso na pista 09 da direita. O pouso foi bom e a aeronave livrou a pista seguindo pelas pistas de taxi Oscar e Bravo.

 

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Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro ...

 

Quando tudo parecia que terminaria praticamente em perfeita calmaria, entra em cena GRU. Como não havia posição de estacionamento disponível, tivemos de aguardar por um bom tempo até o início do desembarque, na posição India 03.

 

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Mas, tratando-se do principal aeroporto de entrada do país, nada que esteja ruim não pode ficar pior. Após a saída do avião, os passageiros seguiram pela estreita e tumultuada passagem até a imigração, trombando no decorrer do caminho com outras pessoas que transitavam pelos diversos portões. Pelo menos não houve muita espera para que fosse possível apanhar as malas despachadas, porém, mesmo assim, no final perdi a minha conexão rodoviária que partiria, segundo os meus cálculos, com um bom disponível de tempo após o horário previsto para a chegada do vôo, e tive de aguardar um bocado até o próximo transporte.

 

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Nesse meio tempo, aproveitei para buscar alguma distração e pude constatar como anda a movimentação naquele local. Antigamente, mesmo no horário de “rush”, era possível transitar sem muito esforço. No entanto, logo percebi que seria impossível fazer a mesma coisa naquela noite, e desisti antes de ingressar no “engarrafamento” da ligação entre o terminal 2 com o 1, onde começava uma das filas de check in da Tam. No McDonalds, havia “slot time” para fazer um pedido, e ocupar uma das mesas obrigava, antes de tudo, se desvencilhar do amontoado de resto de sanduiche e batata frita que era deixado pelo ocupante anterior, pois as lixeiras estavam tão saturadas quanto o pátio de estacionamento dos aviões. Dessa forma, preferi sair empurrando o meu carrinho, que não comportava adequadamente as minhas malas, que insistiam em cair pela lateral, e descobri que o lugar mais confortável para aguardar o ônibus acabou sendo do lado de fora do aeroporto, sentado num banco de concreto. Que venha a Copa do Mundo.

 

Resumindo ...

 

Quando a Varig já tinha até data para fechar as portas, lembro-me de ter lido em algum canto uma declaração afirmando que haveria um “reajuste natural de mercado”, a partir da interrupção dos vôos daquela empresa.

 

Bingo! De fato, sem a visão dos especialistas ninguém jamais poderia pensar que haveria uma luz no fim do túnel. Quem fez essa aposta acertou em cheio, mas suponho que no alvo errado, porque, na grande maioria dos casos, se existe uma luz, ela pertence ao enorme comboio de “trens” das companhias aéreas estrangeiras, que estão abocanhando com vigor rotas estratégicas e uma boa parcela do nosso mercado internacional. A Emirates, por sua competência e um produto de alta qualidade, vem diminuindo as distâncias pelo mundo. Se isso é pouco, para cobrir uma boa parte do planeta praticamente sem concorrência direta de uma companhia brasileira, ainda temos a Turkish, que passa por uma grande ( r )evolução, e brevemente a Qatar. Duvido que pare por aí.

 

No balanço final, mesmo com a troca dos pés pelas mãos dos administradores políticos e as conseqüências causadas pelo diversos erros administrativos imperdoáveis, é importante observar que no cenário atual pelo menos estamos finalmente conseguindo desfrutar de serviços diferenciados e confiáveis, através da consolidação de vôos no nosso espaço aéreo de algumas companhias aéreas que não brincam em serviço. No caso da Emirates, além da sua reputação e estrutura, operando aeronaves de última geração e com incontáveis opções de conexão de vôos para diversos destinos, ela ainda oferece algumas vantagens que eram usuais até pouco tempo atrás, como os bons limites de peso para bagagens despachadas, sem pagamento adicional. Dependendo do trecho, um passageiro da Y pode levar duas malas de 32 kg. Ah, o mais importante: as tarifas são bem atraentes e competitivas. Vale dizer que por tudo que é oferecido, a viagem vale cada centavo gasto, quer seja na Y ou na C.

 

Sendo assim, o que mais um passageiro brasileiro precisa? Comer churrasco a bordo? Mas até isso já existe, pois esse era um dos pratos do almoço do vôo EK261. Por sinal, delicioso.