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Aviação Executiva: EMBRAER preocupa concorrentes PDF Imprimir E-mail

 

 

embraerexecutivos_mercados

 

Texto: Flávio Campos | Imagem: EMBRAER

 

Há pouco mais de quatro anos quase não se falava sobre a EMBRAER no mercado de aviação executiva. A fabricante brasileira tinha como grande foco o mercado de aviões comerciais, onde se fortalecia a cada dia com seus produtos diferenciados que, somados a excelentes análises e decisões estratégicas, lhe permitiram tomar de assalto um mercado com concorrentes fortes e estabelecidos.

 

Os fabricantes de aviões executivos estavam, até certo ponto, despreocupados com a entrada de novos jogadores em seu campo de batalha. A própria história do setor contribuía para tal atitude, considerado um dos mercados de mais difícil entrada para novos competidores por ser muito regulado, ter clientes com padrões e níveis de exigência bastante elevados e, principalmente, altos custos.

 

Para novos entrantes que não possuem grandes estruturas que os suportem, além de um produto de qualidade é preciso adquirir a confiança de investidores de peso que banquem o projeto, tornando sua vida difícil devido ao alto risco do investimento para enfrentar a concorrência fortemente estabelecida do setor. Do outro lado da mesa, para os grandes fabricantes de aviões comerciais, é preciso desenvolver praticamente toda uma nova área de expertise para a qual não estão voltadas e, o normal, neste caso, é preferirem não arriscar quando já estão seguras em seu mercado, preferindo focar em melhorias no mesmo a investir em algo que pode não gerar o retorno esperado.

 

De fato, a indústria executiva não via um novo fabricante adentrá-la significativamente, realmente estabelecendo sua presença, há mais de 40 anos. Isso significa dizer que desde a década de 1960 até hoje esta quase façanha foi realizada somente por uma empresa, justamente a EMBRAER.

 

Após se recuperar da crise que a assolou na década de 80, ser privatizada na primeira metade dos anos 90 e estabelecer-se como uma das maiores fabricantes mundiais de aviões comerciais, a empresa, com a mesma consciência e planejamento estratégico que lhe permitiu visualizar e estabelecer seu nicho no mercado de jatos comerciais, voltou seus olhos para o também concorrido e difícil setor da aviação executiva.

 

O primeiro passo foi até certo ponto tímido, com a criação de uma versão executiva a partir do avião que foi o marco de sua virada na década de 90, o ERJ-145. Utilizando a plataforma mais curta da família, o 135, a EMBRAER lançou seu primeiro jato executivo, na categoria super midsize, batizando-o de Legacy 600. O avião, apesar de possuir um desempenho inferior ao dos concorrentes diretos – justificado pelo fato de ser derivado de um avião feito para o transporte de passageiros nas companhias aéreas – agradou o mercado oferecendo um excelente custo/benefício, além da já comprovada qualidade da plataforma ERJ-145 e dos serviços de suporte ao produto e atendimento ao cliente da EMBRAER.

 

Mas o ano que realmente marcou o passo mais ousado da fabricante no que se refere à aviação executiva foi 2004. Este foi o ano em que a EMBRAER iniciou os estudos para a construção do Phenom 100 e, já em 2005, foram anunciados os planos de se tornar um dos grandes players do mercado de aeronaves executivas – o que a EMBRAER pretende concretizar até 2015 – e os projetos dos novos Phenom 100 e 300, seus primeiros jatos executivos “puro-sangue”.

 

Nos anos posteriores seguiram-se os anúncios dos Legacy 450 e 500 (também novos projetos voltados ao mercado de aviação executiva), o Lineage 1000 (variante do EMB-190) e, mais recentemente, o Legacy 650 (com performance melhorada em relação ao 600), criando um portfólio que cobre desde a categoria VLJ (Very Light Jets) até a Ultra Large.

 

Não bastasse toda essa gama de aeronaves para já deixar a concorrência em alerta, a entrada em operação do Phenom 100 serviu para mostrar que o objetivo de ser uma das grandes do setor em 2015 foi muito bem calculado, e o avião vem recebendo inúmeros elogios do setor, especialmente dos clientes, que se mostram extremamente satisfeitos.

 

O sucesso do primeiro lançamento, além de projetar mais expectativa sobre os que ainda estão por vir, aumenta a preocupação dos concorrentes, e empresas estabelecidas como Cessna e Hawker Beechcraft já sentem o impacto de ter que dividir as atenções, e as receitas do mercado, com um adversário de peso.

 

Em entrevista ao jornal norte-americano Wichita Eagle, o CEO da Hawker Beechcraft, Bill Boisture, disse estar muito preocupado pois a EMBRAER está entrando com uma estratégia cuidadosamente pensada de preço, tamanho e performance. Essa preocupação é reverberada pelo CEO da Cessna, ao dizer para o mesmo jornal que a fabricante brasileira será um constante incômodo, que veio para ficar.

 

Essa visão é compartilhada por analistas do setor, acrescentando que, com o lançamento em 2012 e 2013 dos Legacy 450 e 500 o efeito sobre os programas dos concorrentes será ainda maior, devendo acentuar a perda de clientes para a EMBRAER.

 

Apesar das justificativas de alguns fabricantes que alegam o fato da vantagem da EMBRAER estar no baixo-custo, permitindo oferecer aviões mais baratos, o verdadeiro diferencial frente à maioria está no desenvolvimento dos produtos, que ao serem colocados frente a frente com os adversários estão se mostrando superiores, reafirmando a capacidade técnica e comercial da EMBRAER, que desde o ERJ-145 tem se notabilizado por não dar passos em falso.