| Pedro, a águia e a galinha |
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Texto: Mastercaptain | Foto: Fábio Laranjeira
Ele nasceu para voar. Tudo o que se relacionava a aviões ele sabia desde a tenra idade. Tachado de chato por seus familiares só falava em avião avião,e avião. Uns achavam que era por influencia familiar,devido a um tio ser piloto. Outros imaginavam que esta fase passaria com o tempo. Aos treze anos já lia livros de aerodinâmica e entendia de hélices. Desde pequeno atazanava seus pais para ver os aviões no aeroporto. Aos 15 anos possuía um conhecimento de tipos e marcas de aviões capaz de rivalizar com antigos pilotos.
O pai, percebendo o interesse muito grande de seu filho por aviões, decide então colocá-lo em uma escola, um aeroclube. Matricula efetuada com previsão de iniciar as aulas teóricas e ele é encaminhado para fazer a inspeção de saúde no Hospital da Aeronáutica.
Seu mundo desmoronou. Informado por um medico da aeronáutica, descobriu que a audição de um ouvido, o impedia de obter o certificado de capacidade física para pilotos. Pedro entrou em depressão, tudo o que ele mais queria na vida era ser piloto de aviões, transportar passageiros e é claro voar, voar muito alto. Começou a ir mal na escola, parou de jogar futebol, afastou-se dos amigos.
Seus pais vendo o estado deplorável do jovem Pedro resolvem levá-lo de surpresa a um aeroclube em um fim de semana e já previamente combinado, praticamente empurram-no para dentro de um avião . Já no ar, os olhos de Pedro começam a brilhar novamente, principalmente depois que o piloto que o conduzia informar que ele poderia ser um piloto de ultraleves que não tem exigências tão rigorosas nos exames de saúde. Nos anos seguintes Pedro conclui seus estudos e obtém o certificado de piloto de ultraleve. Seu sonho realizava-se estava finalmente no ar.
Numa manhã ensolarada Pedro resolve fazer uma navegação pelo interior. O ultraleve cortava os céus com um piloto que não cabia em si de tanta emoção e satisfação. De repente a pressão do óleo começou a baixar e o piloto resolveu pousar no primeiro lugar que aparecesse. E este lugar surgiu sob a forma de uma estrada, cortada por campos dos dois lados.
As rodas do magnífico ultraleve tocaram suavemente num pouso perfeito naquela empoeirada porem quase perfeita pista. Lugar ideal para um pouso nestas condições pensou. O problema foi resolvido com a colocação de uma lata de óleo que precavidamente carregava no avião.
Antes de reiniciar sua viagem, o jovem piloto viu-se rodeado por agricultores , que assustados com um avião pousado naquele lugar tão ermo não se acanharam em aparecer às dezenas. Olhavam-no como quem olha para um astronauta. Mesmo dizendo que seria importante voltar logo ao ar de nada adiantava seus argumentos, o povo ali reunido achava-se ofendido se o “astronauta” não aceitasse tomar uma limonada em uma casa próxima pertencente a uma família dos agricultores. A casa ficava a cerca de 200 metros do local de pouso, logo o piloto resolveu aceitar.
Enquanto tomava a limonada, sentado na área externa da casa, respondia as inúmeras questões do povo. Neste momento pode observar que o colono criava junto com as galinhas uma pequena águia. Tratava-a da mesma maneira que tratava as galinhas , de modo que ela pensava talvez também ser uma galinha. Davam a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazendo-a ciscar para complementar sua alimentação a águia portava-se como uma perfeita galinha. Afinal o agricultor tinha achado-a caída de um ninho e criado-a desde pequena. Pedro um pouco incomodado com fato tão bizarro, falou para o agricultor:”Isto não é uma galinha, isto é uma águia.”. O agricultor após trocar o palheiro de lado na boca e dar umas pigarreadas sentenciou: “Agora ela não é mais uma águia agora ela é uma galinha!”
Neste momento Pedro sentindo-se como se fosse ainda aquele menino amarrado ao chão pelo pequeno problema de audição levantou-se e disse: “Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa...”
Agarrou a pequena águia levou-a para a varanda que ficava no segundo piso da casa, fixou seu olhos no pobre bicho e falou: “Voa, você é uma águia assuma sua natureza!”
Mas a águia não voou. O Agricultor com um sorriso discreto na boca argumenta: “Não te falei que agora ela é uma galinha?”
E logo estava o pequeno avião ,Pedro e a águia em pleno ar. A pobre águia um pouco assustada empoleirou-se em cima do banco do passageiro e com seus olhos arregalados pode avistar lá de cima o sol, os campos verdes as nuvens e principalmente sentiu pela primeira vez o gosto de voar.
Finalmente Pedro retorna e pousa. Os agricultores esperavam ansiosos. Ele sai do avião com a águia , afasta-se um pouco, fita novamente e fala : “Voa, você é uma águia, desperte para a sua natureza e voe como águia que és...”
A águia lembrou-se das emoções que teve no vôo a ver tudo aquilo, e ficou maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto, ficou um pouco confusa no inicio, sem entender o porque tinha ficado tanto tempo alienada. Então ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou devagar suas asas e partiu num vôo lindo ate que desapareceu no horizonte azul. O agricultor não sabia se ria ou chorava, pois pressentiu que tinha talvez perdido sua “galinha diferente” .. Pedro então olhou pra todos os presentes e disse: Assim como vocês viram com os próprios olhos a águia seguir sua natureza, existem pessoas que deveriam se portar da mesma maneira. Criam as pessoas como se galinha fosse, porem elas são águias. Por isto todos podemos voar se quisermos. Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar. Nós somos águias, não temos que agir como galinhas, como muitos querem que sejamos. Pois com uma mentalidade de galinha fica mais fácil controlar as pessoas, elas abaixam a cabeça para tudo, com medo. Conduza sua vida de cabeça erguida, respeitando os outros sim, mas com medo nunca. Tudo pode aquele que crê!
E Pedro partiu, levando consigo a certeza que tinha dado um belo recado principalmente para as crianças que lá estavam!
Adaptação aeronáutica por Mastercaptain da "Parábola da Águia", proferida em discurso na década de 20 do século passado pelo intelectual, missionário e professor ganense James Aggrey, em apelo à população de seu país contra o domínio inglês. |





