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Museu Aeroespacial PDF Imprimir E-mail

 

 

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Texto: Antônio Seabra | Fotos: Flávio Campos

 

O Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, foi o berço das primeiras atividades organizadas da história da aviação brasileira. Em 1913, ali foi instalado o campo de aviação do Aeroclube do Brasil, e em 1914 foi inaugurada no local a primeira escola de aviação do País.

 

Mais tarde, tornou-se ponto de partida ou de chegada de muitos vôos históricos e desenvolvimentistas, como o primeiro vôo do Correio Aéreo Militar em junho de 1931. Esta histórica porção de terra, que acolheu a muitos heróis e serviu de palco para grandes momentos da aviação nacional, hoje abriga, de forma muito apropriada, o Museu Aeroespacial, onde estão preservadas e expostas mais de 90 aeronaves de valor inestimável, compondo um acervo que inclui exemplares raros da indústria aeronáutica mundial.

 

Já na entrada da área do Musal, como é conhecido, nota-se a presença de algumas unidades do acervo expostas em área externa, como o Embraer ERJ 140 pintado nas cores de fábrica, um C-91 Avro, um AT- 26 Impála II, um C-115 Buffalo, um P-16 Tracker e, recém transferido para o Musal, ali repousa um novo hóspede, um dos “ex” 737-200 do GTE, mais conhecido pelo carinhoso apelido de Sucatinha. De fato, este é um dos Boeing 737-200 com menor número de ciclos e um dos menos voados do mundo!

 

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Aeronaves estacionadas em frente ao hangar do Musal. Da direita para a esquerda estão o P-16 Tracker, o ERJ 140, o 737-200, o Impála (escondido atrás do 737), o Avro e o Buffalo.

 

Um pouco mais distantes, numa área não visitável onde ficam as aeronaves que deverão ser recuperadas para exibição, estão um C-46 Curtiss Commando, um Douglas C-47 e um C-82 Packet. Um pouco mais longe há um DC-3 nas cores da Aerovias Brasil.

 

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Aguardando restauração podem ser vistos, da esquerda para a direita, o C-47 (DC-3), o Packet e o Curtiss Commando.

 

Na entrada do prédio do Musal, a esquerda do hall, existe uma sala dedicada a Esquadrilha da Fumaça, onde está exposto um T-6 nas cores do EDA, com o nome do venerável Cel Braga pintado na carlinga. Na sala seguinte, bem maior, encontram-se as réplicas do Demoiselle e do 14-Bis, um Caudron G3 semelhante ao que foi usado por Anésia Pinheiro Machado em seus raids, um Nieuport 21, três Waco de modelos diferentes, dois Stearmann e um maravilhoso exemplar do Beech Staggerwing, todos eles exibindo perfeitas restaurações. Na sequência, numa sala menor, está exposto o Muniz M-7, primeira aeronave construída em série no Brasil.

 

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T-6 do EDA que foi utilizado pelo Cel Braga.

 

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Beech Staggerwing

 

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Dispensando apresentações, o "mais pesado que o ar" de Alberto Santos Dumont.

 

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Muniz M-7

 

Podemos observar duas salas de exposições, uma denominada sala d’armas, onde estão exibidas diversas metralhadores e mísseis aerotransportados ou utilizados a partir de terra, e uma sala exclusivamente dedicada a presença da mulher na Força Aérea Brasileira, onde são exibidas fotos, documentos e objetos de uso pessoal quando em serviço.

 

Daí passa-se obrigatoriamente ao segundo piso, chegando a um hall aberto em varanda, conectado a duas grandes salas. A primeira delas homenageia o Padre Bartolomeu de Gusmão, contando a história da criação e experimentação dos primeiros aeróstatos, artefato desenvolvido pelo ilustre brasileiro. A segunda retrata a sala do primeiro Ministro da Aeronáutica, o advogado Salgado Filho. A seguir entra-se em um corredor que dá acesso a diversas salas temáticas, exaltando respectivamente os feitos da FAB na guerra e em missões de paz, o serviço de busca e salvamento e, especialmente, uma homenageando Santos Dumont.

 

Ao final do corredor alcança-se uma grande sala de passagem, onde são apresentados vários objetos, maquetes, aparelhos, uniformes e fotos, dedicados a enaltecer o desenvolvimento da aviação civil e militar, seguido por um espaço em dois níveis, de aparência moderna e decoração “clean”, voltado à Embraer, onde estão expostas maquetes de todas as aeronaves que foram produzidas por esse conceituado fabricante, respeitado mundialmente e que tanto orgulho proporciona a nós brasileiros.

 

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Sala dedicada à Embraer, onde é contada a história da fabricante brasileira.

 

Descendo mais meio andar, retorna-se ao plano térreo, onde fica a cereja do bolo: uma sequência de hangares onde o luxo está na presença de aeronaves raras e históricas, de diversos tipos e modelos, civis e militares. A cada passo adiante aumenta o grau de surpresa do visitante, ao deparar-se com cada peça do acervo. Descrevê-las uma a uma poderia criar um anticlímax para o futuro visitante, mas é mandatório mencionar algumas, mesmo correndo o risco de sermos injustos na escolha.

 

Logo no início da caminhada encontram-se o protótipo n° 01 do Bandeirante e uma das duas unidades construídas do CBA 123 Vector. O Focke Wulf FW 58B, em estado “mint” de conservação, é exemplar único no mundo, uma raridade, com linhas admiráveis, e com diminutas e esbeltas hélices de madeira. Mais adiante surgem as “aves de rapina”, entre eles o Curtiss P-40 e o P-47 Thunderbolt, exemplares da Segunda Guerra Mundial, e os Gloster Meteor e F-80 Shooting Star, dignos representantes dos caças a jato dos anos 50, ambos em suas versões monoplace e biplace. Entre os caças mais modernos estão à mostra o F-5, o AMX e o Mirage III-A, este último também em versões monoplace e biplace. Mais adiante um pouco, encontra-se um moderno ALX A-29A e, parecendo exibir orgulhosamente os seus clássicos motores radiais, estão os treinadores Vultee B-15, o NA Trojan, este ultimo nitidamente inspirado no T-6. Um pouco mais além o visitante depara-se com um incrível exemplar do caça F-86 Sabre, primeiro avião a romper a barreira do som, e que veio a integrar o acervo do Musal por doação do governo da Venezuela.

 

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IPD/PAR-6504, o protótipo da aeronave Bandeirante.

 

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CBA-123 Vector, da Embraer, podendo ser observado em segundo plano as instalações onde encontram-se a maioria das aeronaves do acervo do Musal.

 

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Focke Wulf FW 58B

 

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P-47 Thunderbolt, aeronave pilotada pelos pilotos brasileiros do Primeiro Grupo de Aviação de Caça "Senta a Pua" durante a Segunda Guerra Mundial.

 

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Mirage III, podendo ser observada em primeiro plano sua versão monoplace e em segundo plano sua versão biplace.

 

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F-86 Sabre

 

Dentre as aeronaves menores, dedicadas ao transporte, destacam-se o Bird Dog, o Cessna L-4H Grasshopper, o Regente e o Paulistinha, e dentre as de treinamento o Pilatus P-3, o Fokker T-21, o Uirapuru T-23 e o Universal T-25. Na categoria dos pequenos jatos o visitante vai se ver de frente com um espetacular Fouga Magister CM 170 pintado nas cores do EDA, com um Morane Saulnier MS 760 Paris, e com um Cessna Dragonfly.

 

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Fouga Magister, o primeiro e único jato utilizado pelo EDA em toda a sua história, que em 2012 completará 60 anos, exbindo as cores que utilizava quando voou pela Esquadrilha.

 

Na classe dos “avantajados”, podemos ver um B-25, um Douglas Havoc e um Douglas Invader, na classe de transporte executivo estão o Lodestar, o Viscount utilizado pelo presidente Juscelino (exposto ao lado de uma limousine Willys Itamaraty Executivo), que atendeu a alguns ministros da aeronáutica, um outro C47, que pode ser visitado por dentro, um Xingu e um HS-125, daqueles que foram muito utilizados pelo GTE para o transporte de autoridades.

 

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Viscount que servia ao então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek.

 

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C-47, a versão militar do famoso DC-3, aeronave que fez história voando pela aviação comercial.

 

Existe ainda um lindo exemplar do enorme Lockheed Neptune, de patrulhamento marítimo, exibido próximo a outro P-16 Tracker, e duas belíssimas “aves aquáticas”, o clássico PBY-5A Catalina e um Grumann Albatross. É realmente muito curioso olhar para esses dois aviões, dotados de... âncoras!!!!

 

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PBY-5A Catalina, hidroavião famoso por ter participado do único afundamento comprovado de um submarino alemão no litoral brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. A aeronave da foto exibe em seu nariz a âncora que era utilizada quando precisava ficar "estacionada" sobre a água.

 

Na parte final da caminhada pelos hangares está a grande surpresa que o Musal reserva ao visitante apaixonado por aeronaves militares: um Lockheed F-104 Starfighter, apelidado “widowmaker” (fazedor de viúvas)! Olhar para o seu corpo cilíndrico e alongado e para suas asas de dimensões reduzidíssimas nos dá a plena consciência de que “aquilo” não voa! Ou pelo menos não deve voar segundo as leis da física que regem o vôo dos aviões, não com aquelas asas tão diminutivas!!! Daí, olha-se pra ele novamente, e chega-se a conclusão que “aquilo” é simplesmente um foguete disfarçado de avião. E por isso mesmo atingia, já na metade dos anos 50, a incrível velocidade de Mach 2.2 (2.330 km/h). O exemplar do Musal possui ainda uma peculiaridade que falará também aos amantes de automóveis: doado pela Força Aérea Italiana, o jato que exala velocidade exibe em sua deriva o brasão do Ás italiano da Primeira Guerra Mundial, Francesco Baracca. Qual símbolo é esse? Nada menos que a figura do “Cavalino Rampante”, o mesmo símbolo posteriormente adotado pelo Comendador Enzo Ferrari como identidade de seus famosos automóveis esportivos e de competição.

 

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F-104 Starfighter exibindo o "Cavalino Rampante". Nesta foto podem ser observadas também as pequeninas asas da aeronave, não muito maiores do que o seu estabilizador horizontal.

 

Cabe salientar que, além das aeronaves, o Musal expõe diversos tipos de motores aeronáuticos, convencionais, radiais e a reação, estes últimos em suas versões turbo-hélice, jato puro e turbofan. Vários deles estão apresentados em corte, para melhor visualização de seus mecanismos internos. Alguns destes motores “cortados” estão apresentados dentro de vitrines bem iluminadas, e foram dotados de acionamento elétrico e de um sensor de presença. Assim, quando o visitante se aproxima da vitrine, é dada a partida e eles passam a girar lentamente, demonstrando seu funcionamento. É muito interessante observar os diversos detalhes do motor em movimento, numa verdadeira aula de mecânica de motores, ao vivo e in-loco.

 

Próximo desta ala de motores existe uma seção de simuladores de vôo, exibindo modelos antigos e rudimentares, e um simulador de 727, que foi utilizado pela Varig, e está pintado nas cores da saudosa empresa gaúcha.

 

As aeronaves de asas rotativas não foram esquecidas, estando à mostra diversos helicópteros, tais como o Bell Jet-Ranger, o FH 1100, o Westland Wasp e até um Girocóptero, de uso esportivo.

 

Seria de muito bom alvitre que alguma grande empresa brasileira se interessasse em patrocinar o Musal na restauração destas aeronaves, bem como na construção de novos hangares que permitissem exibir de forma protegida os aviões que estão expostos ao tempo e os que aguardam recuperação.

 

O Musal não tem a pujança estética e a modernidade das instalações do Museu Asas de um Sonho, de São Carlos – SP, mas tem um acervo tão importante quanto e até mais numeroso do que o do museu paulista. Neste aspecto cumpre destacar que os acervos dos dois museus não competem entre si, sendo na verdade, complementares. E conta ponto a favor do Musal o fato do mesmo localizar-se em um sitio histórico, onde paira no ar a memória de nossos grandes aviadores e dos grandes feitos da aviação brasileira.

 

Finalmente, é muito gratificante constatar que a nossa Força Aérea, apesar dos conhecidos problemas de falta de verbas que afligem as forças armadas brasileiras, já de alguns anos, mantém um acervo tão impressionante e em tão bom estado de conservação. Há que se louvar o trabalho destes militares e civis que amam a aviação e que se dedicam para manter essa coleção de aeronaves raras assim tão bem preservadas, afim de garantir que, no futuro, a história da aviação brasileira seja contada de forma fiel e adequada às novas gerações.

 

Recomendamos àqueles que amam a aviação, que não deixem de visitar o Musal. Seguramente vocês vão se surpreender tanto quanto nós! E vão sair de lá extasiados, com muitas estórias pra contar aos amigos e familiares.

 

Veja as fotos dessa matéria e de viversas outras aeronaves mencionadas no texto em nossa página no Flickr: