Banner
Banner
icone_reports_operating REPORTS OPERATING
Informações para investidores
icone_glossario GLOSSÁRIO
Termos e siglas utilizados no site
embarque_imediato EMBARQUE IMEDIATO
Entenda mais sobre aviação
icone_noticiasdaweb NOTÍCIAS DA WEB
Mantenha-se atualizado 
icone_galeria GALERIA DE IMAGEM
Clique na imagem para acessá-la
Hélice ou jato: Os efeitos da hélice no voo PDF Imprimir E-mail

 

 

Texto: Gustavo Rodrigues

 

Sempre estudamos desde o Piloto Privado até o PLA que o vôo com hélice é mais simples do que o vôo com motor a reação, mas será que o que aprendemos é de fato verdade? Antes de entrarmos no mérito da questão, é preciso conhecer o que ocorre com a hélice durante a sua operação e as reações aerodinâmicas no vôo.



Quando temos uma hélice funcionando, temos quatro efeitos básicos atuando no avião (cinco se considerarmos a tração):

 

  • Torque


  • Potencia Assimétrica (P-factor)


  • Efeito saca-rolhas


  • Precessão

 

Torque: É a reação que envolve a terceira lei de Newton da física – Para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade. Quando aplicada à uma aeronave, isto significa que as partes internas do motor e a hélice estão girando em um sentido, uma força de igual intensidade tenta girar o avião em um sentido oposto. Quando em vôo, esse efeito é facilmente percebido como a tendência do avião levantar a asa direita.

 

torque-reaction

 

Potencia Assimétrica: Quando um avião voa em um ângulo de ataque (AoA) diferente de zero, como por exemplo em subida (AoA > 0), a porção da hélice que está em movimento descendente tem uma velocidade relativa maior que a parte em movimento ascendente, criando assim uma distribuição assimétrica de potência no plano da hélice. No caso de uma descida (AoA < 0) a parte da hélice que sobe teria uma velocidade relativa maior que a que desce.

 

p-factor

 

Efeito saca-rolhas: Quando uma hélice desloca uma massa de ar, o movimento de rotação da hélice também faz o ar que ela desloca para trás rodar, criando um movimento circular, igual ao de um saca-rolha. Quando esse ar em movimento circular atinge o estabilizador vertical, altera o ângulo de incidência do vento relativo no mesmo, criando uma força de sustentação que tende a empurrar toda a empenagem do avião para a direita.

 

corkscrewing-slipstream

 

Precessão: Uma hélice girando é um exemplo de giroscópio, concedendo à hélice as mesmas propriedades de um giroscópio. A precessão é a ação resultante, ou deflexão, de um giroscópio quando uma força é aplicada em seu eixo, 90° à frente no sentido de sua rotação.

 

precessao_1

 

precessao_2

 

Entendendo os quatros efeitos, é possível desmistificar alguns conceitos que até hoje se mantém presentes na aviação, como complementar aquilo que já é ensinado.

 

Um exemplo é que todo piloto (aluno ou não) aprende em suas primeiras aulas de vôo que o avião vai guinar para a esquerda quando aplicar a potência de decolagem por conta do torque do motor.

 

Correto, mas incompleto. Conhecendo já os quatro efeitos básicos da hélice em funcionamento, essa afirmação de que é o torque que guina o avião para a esquerda é incompleta; porque não explica o que o torque está fazendo para guinar o avião e também desconsidera o efeito saca-rolhas. Com o avião no chão, a reação ao torque do motor empurra o lado esquerdo do avião para baixo, colocando mais peso no trem de pouso esquerdo, resultando em maior fricção com o solo (ou melhor, resultando em mais arrasto) no trem de pouso esquerdo do que no direito, resultando em uma maior força de guinada para a esquerda.

 

Já sabemos que o efeito de saca-rolhas tende causar uma guinada para a esquerda, mas esse efeito é ainda mais acentuado quando temos a RPM da hélice no máximo e baixa velocidade de avanço.

 

Eessa rotação gera um fluxo de ar muito mais compacto que acentua o efeito de guinar para a esquerda. Por isso quando vamos ganhando velocidade de decolagem ou na recuperação de estol alivia-se o pé do leme, já que o efeito saca-rolhas diminuí com o aumento da velocidade.

 

Já ouvi inclusive algumas pessoas associando o P-factor com a guinada na corrida para a decolagem, mas mesmo considerando slopes positivos e negativos da pista, pode-se dizer que o valor nesse caso seria insignificante.

 

Continua no próximo artigo